CONVOCATÓRIA: Feministas À Frente

O verão acabou e a extrema direita ainda está aí.

No dia 13 de outubro o grupo de extrema direita Democratic Football Lads Alliance (DFLA) planeja fazer uma manifestação em Londres. Nos últimos anos, milhares de membros da extrema direita foram às ruas, de racistas do UKIP ao grupo Generation Identity. Manipulando a informação ou espalhando mentiras simplesmente, eles agora se apresentam como defensores da liberdade de expressão e protetores de mulheres e crianças contra o abuso sexual cometido por homens “muçulmanos” ou “asiáticos”.

Enquanto isso, no mundo real.

Nós sabemos que a violência sexual e o abuso não são atos isolados de violência. A cultura do estupro é comum e disseminada. A maior parte da violência sexual é cometida por pessoas que estão em nossas vidas cotidianas –– maridos, companheiros, ex-companheiros, patrões, padres e pastores, treinadores esportivos etc. Ignorar este fato contribui para que pessoas de todos os gêneros, incluindo exatamente as mulheres e meninas que os fascistas alegam proteger, tenham suas denúncias postas em dúvida e não recebam apoio quando têm coragem de falar. O que o movimento #metoo deixou claro é o quanto a violência e o assédio sexual e de gênero são normalizados e estão em toda parte.

Racismo e sexismo vão de mão dadas.

Então por que a extrema direita usa termos como “gangues de aliciadores” ou “abuso em escala industrial” para falar de homens muçulmanos e de origem asiática, mas não dizem nada sobre a igreja ou equipes esportivas internacionais? Ao usar imigrantes e refugiados como bodes expiatórios, a extrema direita deliberadamente ignora que o abuso sexual acontece em todos os países, culturas e comunidades –– e nas nossas próprias casas. Não serão soluções racistas como fechar as fronteiras ou focar o problema apenas em homens de comunidades minoritárias, que irão acabar com a violência sexual –– e também não será uma volta a papéis de gênero “tradicionais” para as mulheres que fará isso. A extrema direita não têm soluções verdadeiras, porque isto significaria reconhecer e confrontar o fato de que são os homens brancos que continuam estruturalmente a ter mais poder em todas as esferas de nossa sociedade, seja na política, nas comunidades ou nos locais de trabalho.

Quando ninguém desafia a extrema direita, a confiança deles cresce, sua mensagem se torna mais violenta e suas ideias mais aceitas. É assim que o fascismo começou no passado.

Feministas à frente no dia 13 de outubro

A Assembleia da Greve das Mulheres está convocando uma presença feminista militante e cheia de alegria para confrontar a Democratic Football Lads Alliance no dia 13 de outubro. Vamos impedir a extrema direita de explorar nossas experiências de violência sexual em favor de seus objetivos racistas. Chegou a hora de acabar com a mentira que apresenta as mulheres brancas como únicas vítimas e os agressores como sendo sempre negros e asiáticos. Ao invés de fracas e precisando de “proteção”, mulheres e pessoas não-binárias em todas as comunidades são o esteio de várias famílias, pondo comida na mesa e lutando para pagar as contas. Nós somos poderosas, especialmente quando agimos juntas.

Estamos chamando feministas de todos os gêneros para vir a Londres no dia 13 de outubro. Precisamos de sua ajuda para mobilizar no mínimo 500 mulheres e pessoas trans e não-binárias para formar um bloco que estará à frente da manifestação contra a extrema-direita, mostrando a eles que cara tem uma resposta feminista de verdade à violência sistêmica e estrutural. Há transporte sendo organizado de outras cidades para Londres. Comida e serviços de creche serão oferecidos no dia e haverá eventos de divulgação em todo o país ao longo do próximo mês.

Agora não é o momento de ficar calada em casa.

Vamos fazer o feminismo poderoso mais uma vez. O antifascismo será feminista e o feminismo será antifascista, ou nenhum dos dois será.

Contato: info@womenstrike.org.uk

Apoiado por:

Women’s Strike Assembly – (London, Birmingham, Cardiff); Kurdish Student Union UK, Sisters Uncut (SE London, North London, Birmingham); Women’s March – London; Plan C – (London, Birmingham, Essex, Cambridge); The x:talk project, Sister not Cister UK, Disabled People Against the Cuts (DPAC), Glasgow Anti-fascist Collective, SolFed, Birmingham Anti-Fascists, Feminist Fightback, Lesbian and Gays Support the Migrants, Sisters of Frida, Easton Cowgirls Football Club (Bristol), Cleaner and Allied Independent Workers Union (CAIWU), SDLD50